logo
Português (pt-PT)English (United Kingdom)
  • An Image Slideshow
  • An Image Slideshow
  • An Image Slideshow
  • An Image Slideshow
  • An Image Slideshow
  • An Image Slideshow
  • An Image Slideshow
  • An Image Slideshow
MUSEU
COLECÇÕES
EXPOSIÇÕES
SERVIÇOS E ACTIVIDADES
LOJA
NOVIDADES
INFORMAÇÕES

Newsletter




Autenticação

Partilhar

Facebook Image

 Google Arts & Culture

:: INICIO NOVIDADES
.:: “Cancioneiro Musical Português” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta-feira, 14 de Março de 2018 // 19:00 h

CD Apresentação do CD “Cancioneiro Musical Português”, gravado por Tânia Valente (soprano) e Bernardo Marques (piano) a partir da obra de Gustavo Romanoff Salvini, editada em 1884. A apresentação será feita por Tânia Valente, com moderação de Jorge Rodrigues, seguindo-se um concerto. A entrada é livre.

 


GUSTAVO ROMANOFF SALVINI chegou a Portugal em 1859 como tenor para cantar no Real Teatro de São João, integrado na Companhia Laneuville, da qual também fazia parte Elisa Hensler (futura esposa consorte do rei D. Fernando II). A 17 de Outubro de 1859 debutou neste teatro, na ópera “Beatrice di Tenda” de Bellini. Porém um incidente na ópera seguinte - “Os Puritanos” de Bellini – levou-o a perder a voz, pondo termo à sua carreira lírica.

 

Fixando-se na cidade do Porto, Salvini virou-se para uma carreira no ensino de Canto, Piano e Solfejo. Como professor de Canto, Salvini não entendia por que razão os portugueses não cantavam na sua Língua, preterida em favor do Italiano. Encantado pela sonoridade da Língua Portuguesa e pelos seus poetas, Salvini resolveu tomar a iniciativa de pôr em música os grandes poetas do Romantismo Nacional, de Camilo Castelo-Branco a Garrett, passando por Guerra Junqueiro, Alexandre Braga, João de Deus, entre outros. Começou por publicar em 1865 uma compilação de 40 canções a que deu o nome de “Romanceiro Musical”. As canções são antecedidas de um prólogo, onde Salvini tece louvores à língua de Camões:

 

«Se abrirmos um livro de Herculano, Garrett. F. Castilho, J. de Lemos, Palmeirim e d’outros muitos, - coraremos por ver tão enraizado entre os portuguezes o prejuízo de que a língua de Camões se não amolda às exigências da voz e está tão longe do idioma de Tasso, que o canto não pode della tirar partido! Grave preconceito, erro grosseiro que tanto areja as flores do Orpheo Lusitano, sem as deixar abrir e exalar os seus perfumes.»[Salvini, Prólogo 1.ª edição, 1866, p. V]

 

Em 1884, voltaria a publicar esta compilação, rebatizando-a de Cancioneiro Musical Português, 40 melodias na língua portuguesa com acompanhamento de piano e letras dos principais poetas portugueses.

 

No entanto mais do que empreender um esforço para “conseguir que os portugueses cantem na sua língua”, Salvini queria fundar o “Kunst-lied” (canção de câmara erudita) português e queria uma reforma para a música em Portugal. Procurou apoio, sem sucesso, junto a escritores como Teófilo Braga e Ramalho Ortigão e até junto ao Rei de Portugal.

 

Enjeitado pelos seus contemporâneos, Gustavo Romanoff Salvini acabaria por tornar-se, até hoje, num nome esquecido no tempo, enterrado debaixo de uma gruta (símbolo alquimista de morte e renascimento, lugar da busca da verdade num útero simbólico, e consequente conscientização na saída para a luz) . Neste sentido, este disco é uma homenagem a um artista notável, à frente do seu tempo, um cientista da voz (autor do 1.º tratado científico sobre voz cantada escrito em Portugal), um homem lutador e perseverante, possível membro do “colégio invisível” da Rosa-Cruz, e alguém que ousou amar a língua portuguesa mais que os portugueses, ao ponto de querer que ela fosse cantada.

 


SOBRE OS MÚSICOS

 

TÂNIA VALENTE (soprano) é doutorada em Música e Musicologia, ramo de Interpretação, pela Universidade de Évora. Divide a sua atividade artística com as atividades de docente na Escola de Música do Conservatório Nacional e de investigadora no CESEM e CET-FLUL.

 

Iniciou os seus estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas: Estudos Ingleses e Alemães (FLUL) e em Canto (ESML).

 

Estudou canto com Helena Afonso, Ana Paula Russo e Marina Ferreira, Luís Madureira e Elsa Saque, Ana Ester Neves, Lúcia Lemos e Elvira Ferreira. Frequentou ainda Masterclasses com Jeanette-Fávaro Reuter e Walter Moore, Mara Zampieri, Tom Krause, Enza Ferrari, Ivonne Minton (Cursos Internacionais de Música do Estoril) Elsa Saque e José de Oliveira Lopes.

 

Como solista em ópera, foi “Fanny” em “O Tanoeiro” de Thomas Cooper (Teatro da Trindade), “2.ª Dama” na “Flauta Mágica” de Mozart e “Sebastiana”, numa versão portuguesa da sua autoria da ópera “Bastien und Bastienne” de Mozart.

 

Além de se apresentar regularmente em recitais, é membro do Coro Gulbenkian desde 2005. Com este coro, tem participado em inúmeros concertos de música coral sinfónica, música para coro ‘A Capella’, gravações discográficas, digressões, e em óperas.

 

Os seus interesses de investigação compreendem a ciência e pedagogia vocal, o teatro musical português dos séculos XVIII e XIX e as relações entre Música e Literatura. Em 2016 organizou o I Colóquio Internacional "Voz no Palco". É colaboradora da “Glosas” - revista de divulgação musical do MPMP - , e autora do livro “A Língua Portuguesa no Canto Lírico: contexto histórico e relações entre técnica e fonética”.

 

 

BERNARDO MARQUES (piano) é natural de Lisboa. Realizou os seus estudos musicais na Escola de Música Nossa Senhora do Cabo, tendo terminado o Curso de Piano em 2009 com a máxima classificação, na classe da professora Madalena Reis. Nesta escola, a sua formação passou ainda pelo canto, pela ópera, música antiga (cravo e baixo contínuo) e música contemporânea. Em 2012, concluiu a licenciatura em Piano na Escola Superior de Música de Lisboa, onde trabalhou com Jorge Moyano.

 

Atualmente, prossegue os seus estudos de piano com Artur Pizarro e de música de câmara com Olga Prats. Conquistou o 1.º Prémio do Nível Superior de Piano no 14.º Concurso Internacional Cidade do Fundão e o Prémio de Melhor Pianista Acompanhador no 8.º Concurso de Canto Lírico da Fundação Rotária Portuguesa.

 

Tem trabalhado frequentemente como pianista acompanhador e correpetidor, destacando-se participações no Festival Vocalizze, no Festival Coral de Verão, no Curso Internacional de Música Vocal de Aveiro (Curso de Ópera), bem como colaborações com a Fundação Gulbenkian (Coro, Orquestra, Concertos Participativos e ENOA).

 

Paralelamente ao piano, estudou direção coral e orquestral com os maestros Paulo Lourenço e Henrique Piloto, respetivamente. Tem trabalhado em masterclasses com diversos maestros, como Eugene Rogers, Brett Scott, Jean-Sébastien Béreau e Ernst Schelle, estudando atualmente com o maestro Jean- Marc Burfin. Em 2013, começou a especializar-se em ópera com Elena Dumitrescu-Nentwig. Sob a sua orientação, fundou a companhia Nova Ópera de Lisboa, juntamente com a soprano Alexandra Bernardo. Apresenta-se regularmente em público a solo, em formações diversas ou como maestro.

 


PROGRAMA

 

- "Rosas purpurinas", poema de Gonçalves Crespo (Epitalâmio)
- "Queres a flor? ", poema de Camilo Castelo Branco
- "Os meus martírios”, poema de Alexandre Braga
- “Junto ao berço”, tradução de A. Albano
- “O Tronco Annoso”, poema de José Tomaz de Carvalho
- “Eu não gosto”, poema de Fernando Castiço